Olhos fechados

Sentei no jardim esperando uma resposta, qualquer tipo de sinal, nem ao menos sabia dizer o que tanto eu esperava. Olhei para mim, para o meu corpo, analisei os dedos do pé, cada unha, cada dobra, o osso do tornozelo, o calcanhar. Olhei minhas mãos, minhas pernas, cada pedaço de mim que pudesse contar alguma história.
O zumbido de uma abelha desviou minha atenção, ela mergulhava flor por flor no meu jardim. O rasante de uma andorinha bem na linha dos meus olhos, três caramujos peregrinando uma longa estrada de terra, dois tatus-bola, algumas aranhas entre as plantas, formigas enfileiradas. Patos voavam no horizonte em direção ao rio, as nuvens corriam de um vento sem fim, um vento com som. Dois pardais namoravam na cerca viva, as coelhas chutavam a cerca de madeira.

Procurava demais pelo lugar errado. As respostas estão sempre presentes, mas é preciso ter os olhos bem abertos para o que não é humano.

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