Tarde

Eu tenho saudade das tardes. Esse longo espaço de tempo entre o almoço e o jantar. Eu tenho saudade do mundo que morava nas tardes. Da Tia Anastácia, do cheiro de bolinho de chuva na cozinha da minha avó. Das aulas de artesanato. Tenho saudade dos livros de arte da minha mãe, do rádio de pilha do meu avô tocando “Demônios da Garoa”, essa banda que só se toca à tarde. Tenho saudade das chuvas das tardes, do tempo fechando, dos trovões. Deus, como tenho saudade de trovões; nesta ilha tempestade é rara.
As tardes têm cheiro de chuva, café e cozinha limpa. As tardes têm gosto de bolo de fubá e fornada de padaria. As tardes eram macias e longas, intermináveis pedaços de vida onde a gente realmente vivia.
Tenho tanta saudade, onde foi que colocaram as tardes?

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4 comentários sobre “Tarde

  1. Brunno Lopez disse:

    As tardes que você descreve são como as manhãs de domingo pra mim. Mas vamos nos concentrar nas tardes que você descreve.
    Toda vez que me deparo com demonstrações agradáveis de nostalgia e saudosismo, sinto-me parte da história e incorporo minhas próprias memórias ao enredo original.

    Outra vez, a liquidez de sua escrita está jorrando pela página, fotografando os fatos como se desenhasse com as letras e deixando uma narração de bom gosto para os momentos que lhe fizeram ter uma felicidade completa.

    Quem não gostaria de compartilhar uma dessas tardes?

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