Coração de papel

É que em mim bate um coração idiota. Desses corações trouxas, masoquistas, de papel remendado. Rasgado, colado com fita, rabiscado, molhado de lágrima, perfurado. Burro que só ele. Um coração com distúrbio de déficit de atenção. Um coração que se alimenta dos amores mais nobres e pobres, um coração faminto, desregrado. Coração mole. Quanto mais rasga, mais se ajuda a rasgar. Quanto mais desmancha, mais se faz a molhar.

 

E é bem dentro desse coração idiota que você mora. De graça, sem contrato, sem nada em troca, usado, abusado. Escambo de mão única. Usucapião de um coração burro de papel. E ele é tudo o que eu tenho (com você dentro).

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