Let it snow, o cacete…

A neve até já derreteu e só agora eu criei vergonha na cara pra contar pra vocês como foi.
Então, começou a nevar na madrugada de Sexta-Feira, dia 18. David me acordou de manhãzinha e disse pra eu ir até a janela. Eu parecia uma criança feliz que espera a viagem pra Disney no dia seguinte. Nevava muito. Mas muito. E o jardim todo estava branco. Não consegui dormir mais, óbvio.
Dia seguinte fui trabalhar e vi a neve caindo lá fora do shopping. Na hora do almoço, não sei se por frio ou emoção, até esqueci meu cartão de débito no mercado. Tá, foi o frio. O frio daqui congela meu cérebro, eu tenho certeza que entro em hipotermia… não funciona nada!!!
Começou a nevar muito perto das 14h e eu saí às 16h. Saí da loja com a Helly, uma das meninas que trabalha comigo, e fomos por dentro do shopping até o rio. Cena de filme. Cada uma puxou uma porta do shopping e um “uaaaaaaau” duet surgiu naquele momento. Nunca vou me esquecer dessa cena, a neve caindo maciçamente em cima da beira do rio, as crianças brincando, o dia escurecendo (sim, escurece às três e pouco no inverno).
Eu ACHEI que tinha oito anos e fui pulando, com a neve caindo em mim e dando gargalhada. Subi uma escadinha, desci uma escadinha e eis que surgiu o meu grande problema: catapuf. Fui direto pro chão. Porcaria de neve que escorrega. Doeu, machuquei minha mão, mas levantei, sacodi a NEVE e dei a volta por cima. Continuei o percurso até em casa sem a Helly.
Comecei a perceber que minha bota não dava conta e eu meio que escorregava em algumas partes. Uma mulher na minha frente caiu três vezes. E ela caía e gritava uuuuui. E eu ria e esperava a minha vez.
Demorei séculos pra chegar em casa porque queria tirar foto. Brasileira deslumbrada, já viu neve, mas nunca ficou embaixo da nevasca. Ai que feliz que eu tava… Quarto inverno nesse país e eu me sentia uma virgem de neve.
A neve cai como chuva, né gente. E assim, nem sempre adianta guarda-chuva (como não adianta pra chuva daqui também). E, coisa que você só aprende aqui, a neve derrete em contato com o corpo. Óbvio. Aí você fica molhado.
E também sabem que gelo queima, né? Então vai vendo a tortura. Eu feliz, com os olhinhos olhando pro céu, de onde cai tanto algodãozinho!!!! Pá, pá, pá. Começou a doer. Muita neve batendo no meu rosto, caiu um floco dentro do meu olho e eu já comecei a xingar, tava queimando. Mas continuei tirando foto.

Esse momento foi 1 segundo antes da neve no olho... Olha o estado da criança...

Na Watlington Avenue, rua que virou o tormento da minha vida, tava tudo branquinho. Mas a neve em si não é tão problemática assim pra andar, ela dá atrito com o sapato, então eu fui. Devagarinho, mas fui.
Cheguei em casa com neve até no sutiã. O topo do meu gorro era quase um Everest. E eu ria, vermelha, queimada, com a mão doendo. E nesse dia nevou das 14h até o dia seguinte.
Dia seguinte lá fui eu trabalhar de novo. Aí a neve já tava pisada, de tanta gente andando em cima. Os próximos dias foram um tormento. O esquema era andar tipo Happy Feet. Bracinhos abertos, passos arrastados, olhando pra baixo sempre. Chegava em casa com dor nas costas, né, meia hora andando feito pinguim, eu não aprendi isso quando era criança!
O povo daqui é patinador profissional, minha gente. Polonês, então, que vive com -20 graus, olhava pra mim com cara de “que que é essa pobre coitada” (veja a cara da loira me olhando no video “Micastino vai pra casa”… certeza que é polonesa!) Eu me sentia uma criança de um ano tentando me equilibrar.
A Watlington Avenue virou uma pista de patinação. Não havia lugar pra se esconder. Caí lá umas cinco vezes. A sorte é que eu tinha tanta camada de roupa que os tombos nem doíam tanto… No video eu comecei a filmar dessa avenida.
E vocês acham que só aí que a gente reclama do governo, é! Eu moro do lado do hospital mais importante de toda a região de Berkshire. Os caras jogaram sal na rua (o sal derrete a neve) e não jogaram na calçada!!! NEM na calçada do hospital. Inconformada.
Foram dias assim. Depois, pra ajudar mais, choveu em cima da neve. Com menos alguma coisa, virou outra camada de gelo. Pra mim, aquilo tudo já era uma grandessíssima merda. Eu botava o pé pra fora do prédio e já caía. Não aguentava mais levar tombo. Juro. Um dia tive que ir pro trabalho de táxi, porque na tentativa à pé  eu já tinha caído três vezes em uma faixa de 10 metros, imagine o que seriam 2 kilômetros assim.

Agora tem mais previsão de neve pra essa semana. E eu não tô nem um pouquinho empolgada. Próxima vez, juro que compro um par de skis…

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3 comentários sobre “Let it snow, o cacete…

  1. Fernanda irma da Cris disse:

    Mi, nao to precisando de neve aki em Recife, nao. Mas bem que vc podia me mandar uma caixinha de Short Bread pra mim, né?! rsrsrs bjinhos Fe

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