Carrie, a estranha

Tem coisas que estão soberanamente na moda. Não há quem tire do topo, não há quem não se inspire, não há quem não idolatre. E quem falar mal é muito sem noção, ou não tem a menor idéia de em que planeta tá vivendo. E é isso que eu DE-TES-TO em tudo que fica no topo sagrado e  inatingível do público. A falta de crítica e do bom senso.
Tá, que eu também gosto (não adoro) Sex and the City. Tá, que eu também acho a Carrie muito bacana e estilosa. Mas que eu também acho que ela perdeu o relógio, acho. Que eu também acho que o povo às vezes fica insano, acho.
Um dia alguém foi lá e disse, Carrie Bradshaw é um ícone da moda. Todo mundo disse amém (como acontece pra muita coisa).
Tudo onde Patricia Field coloca a mão, vira ouro.
Agora, me diz… queria ver o povo topar com uma mulher de 44 anos, vestida assim no meio da Paulista e achar fabuloso.

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Ou então encontrar uma assim na reunião da escola dos filhos:

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Agora ela tá desse jeito, na filmagem do Sex and The City 2. Todo mundo cheio de elogios, “maravilhosa”, “pode tudo”, “perfeita”. Nossas mães se vestiam assim pra levar a gente no parque andar de bicicleta, lá nos anos 80! Ninguém nunca falou que elas eram ícones fashion!! A cena parece que é um flashback na vida de Carrie, voltando pra quando ela tinha 20 anos… 20 anos em que cara?

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Não quero ser preconceituosa, mas acho que tudo tem um limite. A moda é feita para idades. Desde que se inventou a moda, se inventou o limite entre os 15, os 30, os 50. Se você é solteira, tem um corpão aos 40, ótimo. Use e abuse de peças bacanas, mas que te valorizem e não te deixem com ar de “esqueci de crescer”. Como o vestido Halston branco maravilhoso que a Carrie também estará usando nesse novo filme! Mas é aí que tá, é elegante, combina.
Outro dia vi numa revista aqui uma reportagem com uma mulher de 38 anos. De mini-saia rosa bebê, camiseta baby look com estampa de cupcake e presilhas rosa bebê no cabelo. Se fosse a Carrie todo mundo ia dizer que ela estava magnífica!
Colocar roupinhas teen em quarentona é demais pra minha cabeça. E todo mundo achando lindo é de revirar o estômago.

Elegance is not the prerogative of those who have just escaped from adolescence,
but of those who have already taken possession of their future.
(Coco Chanel)

08 de Setembro

É dia de estréia. É dia de cortar a faixinha!

É com muito orgulho que eu anuncio aos meus leitores a minha colaboração na revista digital “Mundo Mundano“.
A Mundo Mundano é um espaço para o debate de diversos temas, de forma contemporânea, através de crônicas, críticas e poesias de observadores e escritores mundanos. “Ela é feita pelo público para o público”.
Os mundanos se reúnem também em questões sociais, arrecadando livros para entidades carentes! E a revista impressa está prestes a ser lançada.

E é com muito orgulho que hoje anuncio a minha participação como Mundana. Entrem lá, naveguem e esperem pelo dia 08 de Setembro, com a abertura oficial com o texto “Você twitta como eu twitto?”
Sengundo texto agendado para 15 de Setembro, “Ela”. E sim, a revista terá crônicas inéditas minhas! Como a primeira!

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Los Abrazos Rotos

Eu estou louca pra ver “Los Abrazos Rotos”, ou “Broken Embraces”, como chamam aqui. Queria ter visto a premiere na Sommerset House, mas acabei não indo, já que um passeio em Londres à noite envolve hotel e dinheiro.
Algumas críticas dizem ser mais para “La mala educación” do que pra “Volver”, o que me dá um leve frio na barriga, já que acho “La mala educación” perturbador demais (principalmente por ter o Gael naquele papel…). Mas o que esperar de Almodóvar, se não a  perturbação, aquele gosto seco na boca quando os créditos sobem? O que esperar de Almodóvar, se não a simplicidade mais complexa? O que esperar de Almodóvar, se não a realidade crua, pintada de vermelho e escarrada na porta da tua casa? Eu amo Almodóvar, eu amo a Penelope nos papéis do Almodóvar, eu amo Madrid nos filmes de Almodóvar. Tem até a Agustina (Blanca Portillo) de novo!
Quando eu assistir eu conto!

Ensinando português

Um dia ensinei o marido a falar “urubu” em português. Foi num momento-bichinho-da-bobeira em que ele espirrou e eu disse “bless yooou, urubu”.
Ontem eu espirrei. E ele gritou lá da sala, “bless you, urubula”. Me matei de rir.

Um dia mamãe me ligou no skype e eu estava no banheiro, fazendo coisas que não convém explicações. Tocou, tocou, e nada do marido atender. Eu gritei pra ele atender e dizer que eu estava no banheiro e que já ligava para ela. Ele atendeu e disse:
–  Milena. Banheiro. Piriri.

Hahahahaha.

Agora ele tá com mania de colocar inho e inha em tudo. Ontem eu ia tomar banho e ele disse “chuveirinha, porquinha”. Mas entenda o sotaque “chovierinha, pôkinha”. O mais engraçado é que ele não tem noção do que é substantivo feminino ou masculino, então surgem coisas bizarras.

Sim, eu já tentei ensinar português pra ele. Mas é muito difícil. Eu parei no dia da seguinte conversa:

– Babe, em português existem substantivos masculinos e femininos para o que em inglês é  às vezes só uma palavra. Por exemplo, menina-menino. Cachorra-cachorro. Pata-pato. Gata-gato. Vaca…
– Vacoooo!!!
– (hahahahaaha) não, o masculino de vaca é boi.
– Por que? (muito confuso)
– Não seeeeeeeeei!!!!!!! (mais confusa ainda)

Tão passada que nem consigo pensar num título…

Gente, o que que é isso? Como que uma pessoa em sã consciência pode achar isso normal?

Raimunda

Disse achar estranho o nome Raimunda,  a portuguesa. “Que já vi Raimundos até a cantar, pois nunca Raimunda”. Como assim, portuguesa? Raimunda é uma das minhas personagens almodovariana preferidas! Raimunda era a bedel da escola, que gritava comigo só porque eu queria me esconder na hora em que tocava o sinal. Raimunda é a faxineira do dentista, que fala da vida toda da Cida,  do moço da padaria, das filhas da Meire. Como fala essa Raimunda.
Há ainda a Dona Raimunda, que lavava roupa pra fora e fazia salgadinhos pra vender. Trabalhadora que só, Dona Raimunda.
Tem também a Raimunda lá do Maranhão, que devolveu o bolsa-família porque a filha ia ganhar outro benefício, viu essa, portuguesa?  E a Raimunda da Rua Maria Firmina. Tem a Raimunda que veio lá de Pernambuco pra tentar a vida mió. E a Professora Raimunda do Piauí, que tomou posse na Academia de Letras do Médio Parnaíba. Tem a Raimunda que é dona daquele ponto na boca do lixo. E tem a Raimunda cearense, que chama todo mundo de égua. Ah, sim, e como não esquecer da Raimunda Quebradeira, que cata côco de babaçu lá na Amazônia! No Brasil tá cheio de Raimunda, portuguesa. Vai ver que é isto que você não entende. Que Raimunda é Brasileira.

God save the Queen

Repostando, pra frisar mesmo.

Especial para quem mora desses lados da Terra, ou para quem quiser se inteirar com a vida por aqui…

Você percebe que está definitivamente morando na Inglaterra quando:

– Coloca vinagre na batata frita;
– Sabe que crisps, chips e fries são coisas completamente diferentes;
– Não reclama mais do tempo;
– Se mata de rir com os programas de humor,
– Faz picnic ou churrasco no primeiro dia de verão e toma sol de roupa no parque;
– Anda na neve de guarda-chuva;
– Não fala com os seus vizinhos, ou melhor, nem sabe quem são;
– Come weetabix, shreddies ou porridge;
– Sente falta de banheira quando não tem, mesmo se você nunca teve uma no Brasil;
– Acha estranho cumprimentar alguém com beijo…
– Usa mais sua  bicicleta do que quando era criança;
– Já se acostumou com as teias de aranha nas janelas, e o barulho dos corvos e megpies;
– Tem cheddar na geladeira;
– Não tira mais fotos de patos;
– Sonha em inglês;
– Toma “tea” no tea break do trabalho, ou na escola. E com leite.
– Toma suco de laranja Tropicana e acha ótimo;
– Põe a “kettle on” quando chega alguém em casa (chaleira elétrica);
– Diz palavras como “fab” e “fantastic”;
– Chama alguém de mate e diz cheers ao invés de obrigado;
– Fala “ta-da” ou “toodieloo” ao invés de tchau;
– Convive bem com os poloneses, mas reclama dos “asians”.
– Compra feijão enlatado;
– Entende sotaques de Liverpool, Manchester, Escócia e Irlanda;
– Vai em praia de pedra sem reclamar;
– Anda de trem;
– Half a pint não faz mais efeito;

… to be continued…

Vaca gorda pra RB

Pô, meu! Foi-se o tempo em que o Rafinha Bastos se apresentava na esquina de casa, no Bleecker Street, por 20 dinheirolas.
Agora é no Teatro Frei Caneca, por uma notinha de 50 pila.

Hahaha, desculpem os argentinos!!