Gringo sofre

Gringo sofre em qualquer lugar do mundo, considerando que também somos gringos em outras bandas. Nomes, por exemplo. Eu já passei por Melanie, Melina, Milina, Malena, Malina, tudo o que podem imaginar. Mas o certo aqui não passa do “Mileiiiiina”. Vai confiar num povo que consegue dizer Millennium e não consegue segurar a língua na hora de dizer Mile-na?? Sem o “i” cantado no meio? Minha cunhada me chama de Mel, pra ficar mais fácil.
Pois que sou uma dessas brasileiras típicas, mistura de um monte de raça, predominantemente bisneta de italianos. Mas que circulam no sangue dna grego, austríaco e mais um bocado.  Um misto de raça, nascida e criada em São Paulo, casei-me com um soldadinho de chumbo da terra da Rainha. Inglês até perder de vista, com brasão de sobrenome e tudo. Sou agora brasileira com primeiro nome que ainda não decidiram se é latim, sérvio ou grego, dois sobrenomes italianos e um britânico. Hawkins. Se fala “Róquins”.
Agora imagine essa criatura que vos fala frequentando um laboratório no Brasil, em Maio deste ano, para um simples exame de sangue. Sento na cadeira, minha mãe do lado. Pego uma Veja velha pra me atualizar das notícias dos quase últimos dois anos. Passa um tempão, muito tempo, e eu ainda sentada. Laboratório cheio, eu de jejum há muito mais de oito horas, com fome e de mau humor. Continuo na Veja.
Chamam Dona Aparecida, Senhora Lopes, Senhor Martins e,  pouco a pouco, as pessoas ao me lado vão se levantando e dando espaço a outros Silvas, Oliveiras, Santos. Até que a mocinha com a prancheta na mão chama um nome. Senhora Rávisquin, Senhora Rávisquin, Senhora Rávisquin. Continuo entretida na Veja, minha mãe na Boa Forma, até que o mantra da mulher ecoa na minha cabeça. Olho pra minha mãe, que olha pra mim e diz “será?”. Olho pra mocinha da prancheta, completamente atordoadas eu e ela, até que ela recebe uma luz divina e diz “Senhora Milena Rávisquin”. Eu e minha mãe caímos na gargalhada. Decidi não chamar mais a futura filha de Heidi, pra não virar nome de inseticida.

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4 comentários sobre “Gringo sofre

  1. Silvia disse:

    Guria, isso aconteceu comigo tbem…
    Semana passada, primeira vez na fisioterapia aqui na Holanda e o senhor chama o meu novo sobrenome… continuei lendo minha revista ( tambem de dois anos atrás, aqui nao é diferente ) e somente depois de um tempo q me ” liguei” q van den Berg era eu! eita…

    Abraco,
    Silvia, noord-holland!

  2. Anathalia disse:

    Nome é coisa complicada. Você disse que gostou do meu nome, hoje em dia eu também gosto, mas na infância sofri um tanto. Entendiam de tudo (Ana Carla, Ana Natalia, Anastácia) menos Anathalia. Aqui na “gringa” então, nem me dou o trabalho. Já virei Ana e pronto. rs!
    Um beijo!

  3. Vivi disse:

    Amiga levei um susto qdoentrei aqui, pois seu lay tá identico de uam outra amiga blogueira, pensei que tivesse entradao errado 🙂

    Agora essa foi ótima amiga, eu imagino como o povo deve fazer confusão com seu sobrenome.
    Bjokas

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