Senta que lá vem… post mega!
Não sei porque a própria sincronicidade tem sido um sincronismo para mim. Então vou falar um pouco dela e a Dr. Vivi que me corrija se sair alguma asneira.
Eu me deparei com a palavra sincronicidade pela primeira vez aos 16 anos, através do livro “Anjos, mensageiros da Luz” que mencionei na Retrospectiva. O próprio fato do livro cair na minha mão já foi sincronicidade, porque eu nunca precisei tanto dele como naquela época. Por uma série de fatores. E, como eu disse, aquele livro mudou a minha vida e minha espiritualidade.
Sincronicidade foi um conceito desenvolvido por Jung para definir situações que acontecem não por acaso, mas por relação de significado. Nada mais é do que uma junção de acontecimentos que surgem de uma forma significativa para uma pessoa ou mais.
Na verdade, a sincronicidade se manifesta para absolutamente todo mundo. Mas ela necessita de atenção, percepção e compreensão. Se não, os fatos simplesmente acontecem e você nem percebe.
No livro que eu citei a autora diz que os anjos trabalham através de sincronicidade. Aí vai da crença de cada um, ainda não estudei Jung a fundo para saber se isso é produto da nossa mente, como a lei da atração, ou simplesmente uma força maior e inexplicada.
Eu tive experiências incríveis de sincronicidade nestes últimos onze anos. E acho que a mais significante dela foi o meu relacionamento.
Por algum motivo eu sempre tive uma ligação estranha com a Inglaterra, mais precisamente com a língua inglesa. Fui meio auto-didata em inglês e comecei a falar aos dez anos. Aos onze, quando ainda não sabia mais do que o básico, tive um sonho que até hoje é muito vivo na minha memória. Sonhei que estava na época medieval e eu era plebéia, trabalhava num castelo. Era diferente do que sou hoje e, mesmo tendo onze anos na época do sonho, nele eu tinha mais de vinte. Era loira, de cabelos ondulados e bem compridos, presos com uma espécie de semi-trança no alto da cabeça. Era alta e esbelta, tinha seios fartos, lembro de me sentir ligeiramente incomodada por saber que não era eu no meu próprio corpo naquele sonho. Usava um vestido bordô bem apertado na cintura, delineando bem os seios fartos. Lembro que era dia de festa no castelo e eu servia frango assado em bandejas para homens que pareciam knights. Lembro direitinho da minha “chefe” na cozinha, me passando a bandeja de frango e eu odiava o cheiro e a gordura nas minhas mãos (essa é uma característica de hoje também). Em algum momento do sonho, enquanto eu passava por um corredor de pedras escuro, iluminado por tochas, um homem muito bonito me puxava pelos braços para um canto e me beijava. Lembro do meu coração disparado e apaixonado por aquele homem. Não lembro da sua fisionomia, mas ele era alto e tinha cabelos castanhos. Vestia uma roupa bem melhor que a minha e eu sabia que nosso romance era proibido por questões de classe social. Ele tinha acabado de voltar de uma batalha. A gente se beijava e eu tinha que sair correndo, com medo de alguém nos ver. Ele voltava para o salão com os outros homens e me olhava de um modo que fazia meu estômago gelar. Como se existisse um único segredo e amor no mundo naquela época.
Acreditem ou não, sonhei esse sonho inteiro em inglês. E quando digo que a memória ainda está viva, vocês podem ver pela riqueza de detalhes. E eu tinha apenas onze anos. Nunca mais me esqueci desse sonho, principalmente por ter sido em uma língua que eu acabava de aprender… Mas é aí que está a sincronicidade.
Desde uns oito anos eu jurava pra minha mãe que casaria com um estrangeiro e moraria fora do país. Minha mãe sempre ouvia isso como uma espécie de premonição, eu era calma e ponderada quando tocava no assunto. Como se, no fundo, já soubesse.
Aos dezesseis anos cismei em fazer intercâmbio. No começo cheguei a ver para o Texas ou Tennesse (de novo os cowboys), e pretendia ficar seis meses. Ninguém na minha família tinha aberto a boca enquanto eu quase fechava o pacote. Até que numa noite minha tia ligou e disse “estou mandando sua prima para ficar um mês na Inglaterra… se você quiser ir junto, eu pago”. Eu quase surtei. Tinha que decidir entre o meu sonho de morar nos EUA e fazer um intercâmbio decente de seis meses entre homens sarados e vestidos de cowboy, ou um mês num cursinho de verão na Inglaterra. Até hoje não sei bem porque decidi ir para a Inglaterra.
Foi a viagem mais fantástica que já fiz. Nunca tinha ido para o Reino Unido, mas sentia uma coisa diferente. Uma espécie de magnetismo que, como um imã, me atraía. Tinha muitas sensações de deja-vu. Na hora de voltar para o Brasil, eu chorava insandecidamente, como se tivessem tirando uma parte de mim.
Voltei, mas nunca tirei da cabeça o fato de que, por algum motivo, eu ainda voltaria para lá. Dizia para todo mundo que moraria na Inglaterra.
Alguns anos se passaram, apareceu a tal cartomante que me disse que eu me casaria com um estrangeiro, alto, de cabelos castanhos e olhos verdes puxadinhos, seis anos mais velho que eu. Como disse em outro post, transferi tudo para o Italiano que eu tinha conhecido na viagem, achando que poderia ser ele. Ela também havia dito para a minha mãe que eu iria embora.
Aos 22, eu estava com as malas prontas para passar o carnaval em Salvador. Minha amiga usava o ICQ e me encheu o saco para eu instalá-lo no trabalho. Eu não usava o ICQ desde os 16 anos mas resolvi testar, não tinha muito trabalho naquele dia. Coloquei ela na lista e ela não falou comigo. Resolvi então procurar alguém para teclar e pensei “que tal treinar meu inglês”… Digitei “homem (porque também não sou retardada), entre 23 e 28 anos, Reino Unido”. Juro que só apareceu o nome dele na lista online…. quem usou o ICQ um dia sabe que isso é praticamente impossível.
Achei o nome bonito e resolvi tentar uma conversa. Começamos às 8:30 da manhã do Brasil e terminamos de falar às 18h, na hora em que eu fui embora. A conversa fluiu de um jeito que parecia que ele era meu melhor amigo, de infância! Nunca me esqueço que logo nesse dia ele disse “porque você não vem pra Inglaterra e se casa comigo?”.
Eu o achava meio louco mas, não sabia dizer porque, não conseguia mais ficar muito tempo sem falar com ele. Cinco dias depois fui para Salvador e, mesmo lá, pensava como seria divertido se meu amigo virtual estivesse lá.
As conversas começaram a se estender do trabalho para o computador de casa, depois das 18h. Do computador para o telefone. E nessa, haviam se passado dois meses e eu sem ver uma foto dele sequer.
Um dia ele me mandou uma foto. E, podem achar que é brincadeira, ele era simplesmente igual ao meu pai, que faleceu quando eu tinha dois anos. Até hoje as pessoas se espantam com a semelhança. E, como se não bastasse, tem a personalidade do meu avô, que foi meu pai a vida inteira e faleceu no ano em que conheci o meu marido.
Tentei resumir aqui dezessete anos do que, eu acredito, teria sido a maior sincronicidade da minha vida até hoje. Muitas pessoas podem achar que é lei da atração, “o segredo”, acaso, coincidência. Eu acredito em destino. E acredito nos sinais e insights que nos guiam até o nosso destino. E eles podem não ter explicação nenhuma, podem ser coisa de Deus, dos anjos, enfim… para mim é sincronicidade. O universo conspirando a favor de um destino e mandando “dicas” através do sincronismo. E como eu digo no meu orkut… de nada vale “o segredo”, se não prestarmos atenção à sincronicidade. Porque sem ela, não chegamos a lugar nenhum.
Uuuufffffff, post longo…
