O povo brasileiro

Escolha sua trilha sonora preferida:

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“É…
A gente não tem cara de panaca
A gente não tem jeito de babaca
A gente não está com a bunda exposta na janela
Prá passar a mão nela…”

 ou

“Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Prá me convencer
Apagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer
Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Prá gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim…”

 ou

“Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Que país é esse?”

Gênios.
Renato Russo, Gonzaguinha e Cazuza devem estar se revirando em seus túmulos…

“A jornalista… disse que pretende apresentar um talk show na TV”. 

Que porra é essa, meu Deus?

Que país é esse que tem que colocar todos os aspirantes-a-alguma-coisa na TV? Mesmo que essa aspirante-a-alguma-coisa seja a mulher que viveu às custas de boa parte dos 40% do TEU salário? Sim, 40% do teu salário anual é o que vai pro bolso do Estado. Isso significa tudo o que você ganhou de 1º de Janeiro a 26 de Maio: 146 dias. 
E foi uma gorda fatia dessa pizza, meu amigo, que essa jornalista embolsou. Não, não é nenhuma Bebel da vida não, não pertence ao feliz mundo dos ignorantes. É uma jornalista formada. E o que ela ganhou com isso? Trezentos mil reais. Tá bom pra você?
Hugh Hefner que me desculpe mas desprezo a iniciativa da Playboy. Sou publicitária e sei que nesse mundo vale tudo, mas até que ponto a gente vai deixar esse povo fazer a gente de idiota? Até quando vão cuspir em cima e ainda esfregar o pé, sem dó nem piedade?
Fico indignada com a inércia das gerações de hoje. Será que foi tanta pancada que deixou a gente assim? Que falta fazem os estudantes de antigamente, inebriados de esperança e idealismos, estufados de idéias novas e moralismo. Entorpecidos de ÉTICA. Por onde andam esses valores? O que aconteceu com a gente?
A globalização faz com que a mídia exiba a realidade nua e crua, sem pudor algum, com total transparência. Violência, corrupção, atentados terroristas, aviões queimando com gente dentro, execuções… até mesmo um “11 de Setembro” ao vivo, em tempo real, como um filme de terror de Hollywood. Quanto mais chocar, melhor.
No Brasil o crédito fica com a política. Escândalos, mensalão, corrupção, roubo, dinheiro na cueca. Tudo isso é tão normal quanto assistir no telejornal crianças mortas por balas perdidas. Não há mais limites para a exploração do choque. E, com isso, tudo se torna normal, cotidiano, aceitável, humano. Tudo é absolutamente banalizado.
Que falta faz qualquer gesto de indignação, passeata, nariz de palhaço, cara pintada. Qualquer manifestação que não seja de sem-terra, sem-teto, professores, médicos. Que seja apenas uma manifestação de proletariados. De gente como a gente, que paga uma das maiores taxas fiscais do planeta e que tem um dos menores retornos. Que seja somente povo, como um todo, sem distinção. Não negros, ou brancos, ou ricos, ou pobres, ou ignorantes, ou instruídos. Apenas uma grande massa, uma unidade: um povo. Sim, carecemos de povo, meus amigos. Somos brasileiros, somente. Não nos chame de povo.
Somos uma grande massa dividida em classes sociais, religiões, times de futebol. Somos aqueles que vestem a camisa verde e amarela na Copa mas não penduram uma bandeira na janela quando descobrem um escândalo político em cima do outro. Nascemos e vivemos no mesmo país mas somos apatriados. Não acreditamos mais em nada, muito menos em unidade, menos ainda em solução.
Somos nós, aqueles que nem mais conversam sobre política nas mesas de bar. Somos os robôs alienados que assistem à tudo com cara de paisagem e, ao mesmo tempo, somos os caras que votam sem um pingo de esperança, num país onde Clodovil, Sabrina Sato e Gretchen fazem ou tentam fazer parte da política. Não há como se iludir, não há opção.
Sim, amigo, o que eu e você temos em comum é o passaporte, o RG, o CPF. Talvez você tenha as mesmas crenças que eu, goste de samba, torça para o São Paulo. Talvez você coma pão de queijo e seja fã de guaraná. Mas é até aí que chega a nossa relação. Somos brasileiros por nacionalidade, mas não somos um povo. Somos aqueles que são estuprados todos os dias pelos políticos e continuam levantando a saia.  Somos nós, aqueles caras da América do Sul que só se reúnem em Fevereiro ou quem sabe em Julho, de quatro em quatro anos.

Espero o mínimo de decência das partes masculinas, que ignorem pelo menos uma vez na vida um par de peitos e uma pussy despida. Comprar essa revista seria usar um crachá de imbecil.

Algumas considerações sobre… ser mulherzinha

Só uma mulher sabe o que é:

– Depilar virilha completa com cêra quente por uma pessoa que nunca te viu mais gorda;
– Ter essa pessoa prendendo sua calcinha com uma presilha de cabelo pra colocar a cêra quente;
– Fazer papanicolau e colposcopia, com as pernas abertas naquela cadeira-de-tortura-medieval, e ter um ser que você nem sequer sabe o nome colocando coisas nas suas partes íntimas.
– Ter que fazer vulvoscopia (o que é pior ainda) e ter o mesmo ou um terceiro fulano apalpando as suas partes íntimas.
– Além de tudo isso, ser obrigada a assistir às suas partes íntimas num monitor de TV.
– Ter orgasmos múltiplos.
– Fingir orgasmos múltiplos.
– Segurar as nádegas enquanto a fulaninha desconhecida coloca cêra QUENTE nos países baixos.
– Se maquiar toda, achar que está horrível, tirar tudo e começar de novo.
– Se maquiar toda, achar que está linda, borrar a sombra e ter que tirar tudo.
– Usar absorvente noturno e se juntar à trupe do bebê da família e da vovó com fralda geriátrica.
– Assistir “Lado a lado” e não entender como homens não se debulham em lágrimas.
– Ter TPM, TDP, TAM. Tensão durante e tensão após.
– Gastar os tufos com drenagem linfática, estimulação russa e endermologia porque são imprescindíveis.
– Fazer as unhas toda semana e achar tão normal quanto escovar os dentes todos os dias.
– Fazer peeling para tirar as manchas de sol causadas pela pílula ou gravidez.
– O sabor de uma barra de chocolate na TPM.
– Sair toda mulambenta mas achar que tá abafando e… abafar. Pela pura presença da Pomba Gira.
– Passar num canteiro de obras e ser o centro das atenções.
– Economizar calorias no cafezinho com adoçante e refrigerante diet.
– O brilho de um diamante.
– Tomar pílula todo bat dia, todo bat horário e querer morrer quando esquece uma.
– Usar uma aliança no dedo esquerdo e ver o poder que dá… e se perguntar porque nunca tinha comprado uma quando estava solteira só pra se dar bem.
– Ficar perdidamente apaixonada, no estilo mais mulherzinha possível.
– Dizer um não bem gostoso para um cara gato muito metido.
– O espelho de casa virando o espelho dos horrores na TPM.
– Achar absolutamente essencial uma liquidação de sapatos.
– Ficar horas se maquiando em frente ao espelho, sem ter nenhum programa, só pra ver que sombra combina mais com o teu olho.
– A diferença de um meia-taça, um de bojo, um de água e óleo e o porque que aquele bordado é mais caro… com toda a razão do mundo.
– Comer um cheeseburger mega-master-blaster com maionese, catchup, molho barbacue, fritas e milkshake – num dia sem culpa.
– Dar uma galinhadinha básica na balada e sentir que está quites com os homens do mundo.
– Ir ao salão, fazer tudo o que tem direito, sem se preocupar com a conta na saída.
– Ter dez pares de sapatos e dez bolsas e a certeza absoluta de que não são suficientes.
– Ter um cabelereiro bicha-confidente e uma manicure psicóloga.
– A diferença nítida entre absorvente cobertura seca e cobertura suave.
– O que fazem duas mulheres quando vão juntas ao banheiro.
– Que sapatos bonitos são desconfortáveis e sapatos feios são confortáveis. E ainda assim ficar com os bonitos.
– Ter, ao mesmo tempo, um cabelereiro fazendo seu cabelo, uma manicure fazendo sua mão, uma pedicure fazendo seu pé, a assistente 1 servindo chazinho e a assistente 2 trazendo “Caras”…
– Sair com as amigas e falar, falar, falar – com todas falando ao mesmo tempo e se entendendo.
– Ter seios e usar o decote como xeque-mate numa investida.
– Vestir cinta debaixo de um vestido pra não marcar nada e sentir ela enrolar na barriga no meio da festa.
– Ter que acordar vinte minutos mais cedo para secar o cabelo e se maquiar.
– Tomar cerveja de garrafa, assistir e discutir futebol com a maior feminilidade do mundo, ser idolatrada pelos homens e invejada pelas mulheres que não sabem o que é impedimento.
– Não saber o que é impedimento. E ter certeza de que a sua vida não vai ser pior por causa disso.
– Passar hidratante, creme para celulite, para estrias, para firmar a pele, autobronzeador, creme para a área dos olhos, creme clareador, creme com DMAE-ceramidas-vitamina C-filtro solar-células tronco. Arrematar com corretivo e base. E nunca saber qual é a ordem certa de passá-los.
– A mágica de um finalizador de cabelos.
– Sentir ódio fulminante pelo inventor do salto alto numa festa de casamento.
– Ter um feeling e ter certeza absoluta de que aquela mulher que você conheceu naquele segundo vai te dar problema.
– A diferença entre uma anabella, um agulha, um quinze, um pata-de-elefante e uma rasteirinha.
– O poder terapêutico das novelas.
– Ter um homem falando com você e olhando para os seus seios, não para os seus olhos.
– Amar o cara que inventou a escova progressiva.
– Ter amigas que simplesmente não podem ser apresentadas para o seu namorado, mas podem continuar sendo suas amigas.
– Não ter absolutamente uma roupa sequer para vestir…. na TPM.
– Empinar um pouquinho mais a bunda só porque aquele gatinho tá te olhando enquanto você faz glúteos na academia.
– Não ter o OB encaixado direito e sentir como se tivesse sentado numa pilha.
– Pegar seis horas de trânsito na estrada e não poder fazer xixi em pé.
– Sangrar por quase sete dias e não morrer.

… E odiar profundamente tudo isso e, mesmo assim, rezar pra ser mulher em todas as outras encarnações.

Cumbica

Eu, sis (Ka), namorado da sis (Oli), primo (Fa) e recém-prima (Liss), deixando mamis e titios no aeroporto:

Mami diz para mim e para a Ka: – Meninas, juízo. Comportem-se.
Eu: – Ka, a que horas vai o cara que a gente pagou pra arrastar os móveis da sala?
Ka: – Ele ficou de levar o dj Mau-Mau pra ver onde é melhor colocar o som…
Oli: – Eu já mandei imprimir os convites… “Ravie ‘Mamãe foi viajar’ – 13 dias de festa”.

ROTFL (ravie mamãe foi viajar é fooooda)
Fa: – Wooohoooooooo!!!!
Liss: – Loucura totaaaal!! Vamos fazer festival de waffle!!!!

Mamis faz cara de paisagem.
Isso é o que pós-adolescentes planejam quando os pais saem de casa. O festival de waffle já tá marcado.

Ctrl+C, Ctrl+V

Recebi a corrente bloguística da Flá. Odiava quando essas cartinhas vinham por correio, debaixo da porta e a gente tinha que xerocar ou escrever à mão. Lá em mil novecentos e bolinha… Mas em blog, é meio viciante.

Regras:
1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª) Abra-o na página 161;
3ª) Procurar a 5ª frase completa;
4ª) Postar essa frase em seu blog;
5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6ª) Repassar para outros 5 blogs.

O livro está ao meu lado, “Cem anos de solidão”, Gabriel García Marquez.

Pág. 161.
5ª frase:

“Fazia tanto tempo que não se viam que o Coronel Gerineldo Marquez se desconsertou com a agressividade daquela reação”.

Quem quiser, repassa! Ou passa!

Funny bath song

Gringo vai tomar banho e deixa recado no skype:

You need to come sing your funny bath song for me!

Querem saber qual é a música que eu canto na banheira? Hohohohohoh… Qual é a múúúúsica Pablooo?

Tá, tá… já sei. Vocês vão me mandar comer um garfo de novo.

Noite

Não fala nada, deixa tudo assim por mim                 
Eu não me importo se nós não somos bem assim
É tudo real as minhas mentiras
E assim não faz mal… e assim não me faz mal não
Noite e dia se completam, o nosso amor e ódio eternos
Eu te imagino, eu te conserto, eu faço a cena que eu
quiser
Eu tiro a roupa pra você minha maior ficção de amor

E eu te recriei, só pro meu prazer…  Só pro meu prazer.

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Sincronicidade

Senta que lá vem… post mega! 

Não sei porque a própria sincronicidade tem sido um sincronismo para mim. Então vou falar um pouco dela e a Dr. Vivi que me corrija se sair alguma asneira.
Eu me deparei com a palavra sincronicidade pela primeira vez aos 16 anos, através do livro “Anjos, mensageiros da Luz” que mencionei na Retrospectiva. O próprio fato do livro cair na minha mão já foi sincronicidade, porque eu nunca precisei tanto dele como naquela época. Por uma série de fatores. E, como eu disse, aquele livro mudou a minha vida e minha espiritualidade.
Sincronicidade foi um conceito desenvolvido por Jung para definir situações que acontecem não por acaso, mas por relação de significado. Nada mais é do que uma junção de acontecimentos que surgem de uma forma significativa para uma pessoa ou mais.
Na verdade, a sincronicidade se manifesta para absolutamente todo mundo. Mas ela necessita de atenção, percepção e compreensão. Se não, os fatos simplesmente acontecem e você nem percebe.
No livro que eu citei a autora diz que os anjos trabalham através de sincronicidade. Aí vai da crença de cada um, ainda não estudei Jung a fundo para saber se isso é produto da nossa mente, como a lei da atração, ou simplesmente uma força maior e inexplicada.
Eu tive experiências incríveis de sincronicidade nestes últimos onze anos. E acho que a mais significante dela foi o meu relacionamento.
Por algum motivo eu sempre tive uma ligação estranha com a Inglaterra, mais precisamente com a língua inglesa. Fui meio auto-didata em inglês e comecei a falar aos dez anos. Aos onze, quando ainda não sabia mais do que o básico, tive um sonho que até hoje é muito vivo na minha memória. Sonhei que estava na época medieval e eu era plebéia, trabalhava num castelo. Era diferente do que sou hoje e, mesmo tendo onze anos na época do sonho, nele eu tinha mais de vinte. Era loira, de cabelos ondulados e bem compridos, presos com uma espécie de semi-trança no alto da cabeça. Era alta e esbelta, tinha seios fartos, lembro de me sentir ligeiramente incomodada por saber que não era eu no meu próprio corpo naquele sonho. Usava um vestido bordô bem apertado na cintura, delineando bem os seios fartos. Lembro que era dia de festa no castelo e eu servia frango assado em bandejas para homens que pareciam knights. Lembro direitinho da minha “chefe” na cozinha, me passando a bandeja de frango e eu odiava o cheiro e a gordura nas minhas mãos (essa é uma característica de hoje também). Em algum momento do sonho, enquanto eu passava por um corredor de pedras escuro, iluminado por tochas, um homem muito bonito me puxava pelos braços para um canto e me beijava. Lembro do meu coração disparado e apaixonado por aquele homem. Não lembro da sua fisionomia, mas ele era alto e tinha cabelos castanhos. Vestia uma roupa bem melhor que a minha e eu sabia que nosso romance era proibido por questões de classe social. Ele tinha acabado de voltar de uma batalha. A gente se beijava e eu tinha que sair correndo, com medo de alguém nos ver. Ele voltava para o salão com os outros homens e me olhava de um modo que fazia meu estômago gelar. Como se existisse um único segredo e amor no mundo naquela época.
Acreditem ou não, sonhei esse sonho inteiro em inglês. E quando digo que a memória ainda está viva, vocês podem ver pela riqueza de detalhes. E eu tinha apenas onze anos. Nunca mais me esqueci desse sonho, principalmente por ter sido em uma língua que eu acabava de aprender… Mas é aí que está a sincronicidade.
Desde uns oito anos eu jurava pra minha mãe que casaria com um estrangeiro e moraria fora do país. Minha mãe sempre ouvia isso como uma espécie de premonição, eu era calma e ponderada quando tocava no assunto. Como se, no fundo, já soubesse.
Aos dezesseis anos cismei em fazer intercâmbio. No começo cheguei a ver para o Texas ou Tennesse (de novo os cowboys), e pretendia ficar seis meses. Ninguém na minha família tinha aberto a boca enquanto eu quase fechava o pacote. Até que numa noite minha tia ligou e disse “estou mandando sua prima para ficar um mês na Inglaterra… se você quiser ir junto, eu pago”. Eu quase surtei. Tinha que decidir entre o meu sonho de morar nos EUA e fazer um intercâmbio decente de seis meses entre homens sarados e vestidos de cowboy, ou um mês num cursinho de verão na Inglaterra. Até hoje não sei bem porque decidi ir para a Inglaterra.
Foi a viagem mais fantástica que já fiz. Nunca tinha ido para o Reino Unido, mas sentia uma coisa diferente. Uma espécie de magnetismo que, como um imã, me atraía. Tinha muitas sensações de deja-vu. Na hora de voltar para o Brasil, eu chorava insandecidamente, como se tivessem tirando uma parte de mim.
Voltei, mas nunca tirei da cabeça o fato de que, por algum motivo, eu ainda voltaria para lá. Dizia para todo mundo que moraria na Inglaterra.
Alguns anos se passaram, apareceu a tal cartomante que me disse que eu me casaria com um estrangeiro, alto, de cabelos castanhos e olhos verdes puxadinhos, seis anos mais velho que eu. Como disse em outro post, transferi tudo para o Italiano que eu tinha conhecido na viagem, achando que poderia ser ele. Ela também havia dito para a minha mãe que eu iria embora.
Aos 22, eu estava com as malas prontas para passar o carnaval em Salvador. Minha amiga usava o ICQ e me encheu o saco para eu instalá-lo no trabalho. Eu não usava o ICQ desde os 16 anos mas resolvi testar, não tinha muito trabalho naquele dia. Coloquei ela na lista e ela não falou comigo. Resolvi então procurar alguém para teclar e pensei “que tal treinar meu inglês”… Digitei “homem (porque também não sou retardada), entre 23 e 28 anos, Reino Unido”. Juro que só apareceu o nome dele na lista online…. quem usou o ICQ um dia sabe que isso é praticamente impossível.
Achei o nome bonito e resolvi tentar uma conversa. Começamos às 8:30 da manhã do Brasil e terminamos de falar às 18h, na hora em que eu fui embora. A conversa fluiu de um jeito que parecia que ele era meu melhor amigo, de infância! Nunca me esqueço que logo nesse dia ele disse “porque você não vem pra Inglaterra e se casa comigo?”.
Eu o achava meio louco mas, não sabia dizer porque, não conseguia mais ficar muito tempo sem falar com ele. Cinco dias depois fui para Salvador e, mesmo lá, pensava como seria divertido se meu amigo virtual estivesse lá.
As conversas começaram a se estender do trabalho para o computador de casa, depois das 18h. Do computador para o telefone. E nessa, haviam se passado dois meses e eu sem ver uma foto dele sequer.
Um dia ele me mandou uma foto. E, podem achar que é brincadeira, ele era simplesmente igual ao meu pai, que faleceu quando eu tinha dois anos. Até hoje as pessoas se espantam com a semelhança. E, como se não bastasse, tem a personalidade do meu avô, que foi meu pai a vida inteira e faleceu no ano em que conheci o meu marido.
Tentei resumir aqui dezessete anos do que, eu acredito, teria sido a maior sincronicidade da minha vida até hoje. Muitas pessoas podem achar que é lei da atração, “o segredo”, acaso, coincidência. Eu acredito em destino. E acredito nos sinais e insights que nos guiam até o nosso destino. E eles podem não ter explicação nenhuma, podem ser coisa de Deus, dos anjos, enfim… para mim é sincronicidade. O universo conspirando a favor de um destino e mandando “dicas” através do sincronismo. E como eu digo no meu orkut… de nada vale “o segredo”, se não prestarmos atenção à sincronicidade. Porque sem ela, não chegamos a lugar nenhum.
Uuuufffffff, post longo…

Sobre árvore genealógica, melanina e bochechas vermelhas.

Vou bombar isso aqui hoje… 

Bom, tentei ficar mulata e só me rendeu muito calor, alguns litros de suor perdidos e uma leve dor de cabeça. A melanina do meu corpinho olhou pra mim e disse “não me pegue não, não, não, me deixa à vontade”, deitada numa rede em alguma das minhas células e dizendo “meu rei” no final das frases. Preguiçosa essa melanina, não quer saber de trabalhar nem à custo de cenoura.
Voltei da piscina tão branca quanto. Uma leve marquinha de biquini que, segundo minha mãe, só eu vejo.
Óbvio, também não sou retardada e uso protetor 45 no rosto e 15 no corpo. Nada menos disso. Poderia até ser uma pessoa normal e, mesmo se fosse, continuaria com meus numerozinhos. Meu pai morreu de melanoma e, se é pra me dar ao luxo do bronzeado, que seja saudável.
Já disse que queria ser mulata né.
Sempre gostei de ser assim: branquinha, bochechas vermelhas, sardas, cabelo castanho-acobreado com um leve ar de camponesa holandesa (como diria minha prima) ou um semblante de judia (como diria meu primo). Mas depois que fui morar na Inglaterra e até as velhinhas paravam na rua pra falar mal do governo pra pobre brasileira aqui, decidi ser mais latina. Tá, não que isso se decida, mas…
Eu era loira quando estava lá. Escureci o cabelo. Agora ele cresce naturalmente castanho revelando um avermelhado que eu desconhecia. Não fiquei latina, mas já tô com menos cara de anglo-saxônica.
No verão a melanina deu um oi geral. Fiquei até que moreninha. Mas se o sol for embora, melanina se esconde de um dia para o outro e eu volto à palidez.
Muito injusto tudo isso. Mamis é loira de olhos azuis (já começa a injustiça aí), mas tem muito mais melanina que eu. Vovô era italiano do sul, onde houve uma boa miscigenação com os mouros, durante a invasão. Vovô até que tinha bastante melanina e um leve “quê” de árabe, como todo calabrês.
Eu puxei vovô no cantinho dos olhos. Tenho uma tonalidade escurinha no cantinho dos olhos, quase imperceptível, denominada por mim de “herança moura”. E só. O resto da genética juro que deve ter vindo ou da pequena parte francesa da família da minha avó paterna, ou da parte misteriosa judia (que a gente jura que tem) do lado da minha avó materna.
Minha avó materna foi abandonada pela mãe quando tinha seis anos e, por isso, não sabemos muito da familia da minha bisavó. Mas minha avó era ruiva, branca e sardenta, minha tia e meu tio também são ruivos e sardentos. E todos têm uma carinha de judeu. Bom, também tem a parte da família que veio da Sérvia…. pode ter sido de lá.
Papis era branco de bochechas vermelhas, como eu. Por isso, transfiro a culpa da brancura e da bochecha para o lado francês. Très chic mis amis…
(Pausa para reflexão: gringo também tinha as bochechas mais vermelhas que já vi quando era nenê…. o que será das minhas criaturinhas quando nascerem??)
Resumindo, eu sou uma típica brasileira de origem européia. Tenho ascendência italiana (predominante), grega, austríaca, sérvia, francesa e holandesa. Nada de tupiniquim, nada de escravos africanos. Nada de melanina, nem sobrancelhas grossas, nem bocão. Nada de latina caliente. Humpf. Acho que não quero mais falar sobre isso.