And it´s all relative…

Finalmente consegui achar uma brecha entre a disposição, o cansaço físico e a mesmice pra escrever aqui. Ultimamente não tenho tido muita novidade mesmo. Minha vida tem sido literalmente trabalho. E pior, trabalho frustrante.
Eu disse que trabalhei dez dias seguidos. Sem faltar um dia. E tudo isso pra que? Pra ter um mísero fim de semana de folga. Um pouco de tempo com o meu marido, fazer alguma coisa, sei lá, qualquer coisa que fosse, já que os planos de ir pra Londres foram eliminados pela minha rota, pela neve e pela chuva.
Sexta feira cheguei em casa aos quinze minutos pra meia-noite. Do trabalho. Fui direto pra cama.
Sábado abri os olhos e pensei, meu Deus, um fim de semana desde tanto tempo que nem me lembro, preciso fazer alguma coisa. E quem disse que o corpo respondia? Eu só queria dormir. A chuva colaborou bastante de trilha sonora para os meus infinitos sonos. Nem sei quantas vezes fui pra cama e voltei nesse fim de semana.
Academia nem passou pela cabeça. Sábado ainda fomos fazer mercado, não tinha nada pra comer em casa. Domingo resolvemos ir de carro pra Guilford. Algumas voltas no centro, chuva, frio e cansaço me fizeram voltar pro aconchego do meu sofá.
Sim, passei um fim de semana com meu marido, sem qualidade nenhuma.
Segunda e terça trabalhei de novo, segunda de manhã, o que reduziu meu fim de semana pra 48 horas literais. E trabalhei como um zumbi.
Hoje, mais um dia de folga, pra depois enfrentar outros oito seguidos. E adivinhem o que eu fiz? Revezamento entre cama e sofá de novo. São três da tarde e eu ainda tô de pijama. É mais forte do que eu, juro…. minha cabeça quer sair, passear, ir na academia, fazer compras… mas meu corpo discorda em gênero, número e grau.

Domingo fez um ano inteirinho que estou aqui. 365 dias, sem dar uma passada sequer no Brasil. E o que mudou desde então? Não muita coisa… um ano inteiro com o David é uma benção, mas a saudade de “casa” ainda é grande e o coração ainda é um pouco vazio. Tenho tentado ao máximo me adaptar cada vez mais. Já não choro e já chamo aqui de “casa”, mas as coisas ainda não são perfeitas. Acho que se leva mais de um ano pra acalmar um coração meio cheio… meio vazio… meio cheio. Porque meu otimismo cresceu um pouquinho, porque eu aprendi que nada é pra sempre e que se eu quiser mudar amanhã pra Tasmânia só basta um pouco de coragem. E isso eu sei que eu tenho.
É incrível como tem coisas na vida da gente que mexem demais com a nossa personalidade. Eu não sou triste, nunca fui. Ninguém diz que eu sou uma pessoa que chora, porque eu tô sempre rindo. Mas eu tinha mais as mãos nas rédeas. Era mais segura e mais corajosa.
Essa pessoa ainda está dentro de mim, mas às vezes acho que ela dá uma dormidinha….

Enfim, nesse ano tanta coisa aconteceu. Muita coisa boa. E uma delas foi o fato de ter arrumado um emprego, não o emprego em si, mas o fato de ter um salário no fim do mês. Tenho andado absolutamente frustrada e exausta no hotel. Tenho pensado muito em pedir demissão… mas ontem ouvi um passarinho dizer que minha gerente vai assinar minhas férias. Aí é tanta coisa… é a porcaria da “recessão” em todos os canais de tv, as contas pra pagar no fim do mês, o aluguel todo dia 17. É…. é fácil jogar tudo pra cima quando a gente tá na casa da mãe, casa própria, as contas que a gente paga são o celular e a gasolina do carro. Agora eu penso dez vezes e é essa a essência desse post. Eu queria muito levantar, sacodir a poeira e dar a volta por cima. Queria muito pedir demissão, me libertar desse emprego que paga as minhas contas mas me afunda cada vez mais, tirar umas férias desse país e ir pro Brasil um tempo, deitar na areia, respirar o cheirinho do mar de novo. Ir nos meus “comfort” lugares, que  me fazem sentir em casa… viver, como se vive no Brasil. Cuidar de mim. É esse o ponto crítico. Eu faria isso, facilmente. Isso é uma característica minha. Nunca tive medo de arriscar…. e esse medo é o que tá me dando mais medo desse novo eu.

Mas eu tô bem. Posso parecer deprimida de vez em quando, mas vocês sabem. Eu escrevo o que sinto e o que sopra no ouvido. Eu posso esconder tudo através das minhas gargalhadas, mas não através dos meus textos. Melancolia existe na vida de todo mundo… desafios, momentos críticos, frustração, isso é medíocre. Depressão é algo bem mais além, que eu já passei há muitos e muitos anos e sei muito bem onde aperta o calo. E é aí que eu começo a soltar o sapato.
Acho que vou pedir demissão. Mas tenho que pensar.

Não se preocupe se você não me entendeu muito bem hoje. Às vezes nem eu me entendo. Parafraseando Clarice, que provavelmente me entenderia, esse novo eu é um mistério pra mim.

“Well it’s all understood
Especially when you don’t understand”
(Jack Johnson)

dandelion

Anúncios

4 comentários sobre “And it´s all relative…

  1. Flavia disse:

    Oi Mi, pense bem, converse com o David e se vcs decidirem que isso eh o melhor, entao vah em frente. Nao eh necessario ficar trabalhando que nem vc estah e nao ter nenhuma qualidade de vida, do outro lado da moeda estah a recessao, e se vc achou dificil achar um empreo antes, agora estah bem pior, entao pense bem e espero muito que a resposta venha rapidinho 🙂

    bjs

  2. ferrozindo disse:

    Mi, eu vou te falar só uma coisa: seja feliz!
    Não importa onde vc esteja, senta, pensa e vê realmente o que te faz feliz!
    Vcs estão em outra situação da que eu estava/estou. Eu não posso pensar em me aventurar no Brasil pq eu tenho que colocar o bem estar da Rafa acima de tudo. Eu não posso arriscar uma vida no Brasil pq, se eu não conseguir um emprego BOM logo de cara, eu não tenho como pagar um aluguel, escola, plano de saúde, empregada (pq tem que ter alguém em casa pra pegar Rafaela da escola e tomar conta dela) e por aí vai.
    MAS, eu já fiz isso! Fiz isso antes da Rafa nascer, qd meus pais podiam me ajudar de alguma forma financeiramente. Deixei tudo pra trás e fomos atrás de um ‘hunch’ que tínhamos em relação à vida no Brasil.
    Vcs estão novos, nada que lhes prendam em lugar nenhum … e a felicidade, Mi, não é um conto de fadas! É possível but you gotta take the plunge (and that is the hard part).
    Beijos e boa sorte nas suas decisões!

  3. Anna Clara disse:

    Querida, esse é o grande mal de ser gente grande. Quando eu estava morando na França, longe de todos os amigos e sozinha depois de um relacionamento de quase sete anos, eu me vi triste tantas vezes que quase não me reconhecia mais. Mas sou sagitariana teimosa e depois de um tempo já estava rindo das minhas pequenas desgraças. Força na peruca, mulher! Nada é tão ruim assim, só depende da forma como você encara as coisas. E quanto ao emprego, senta com o seu chuchu e tenta achar uma alternativa. Vou ficar na torcida. Beijo!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s